Manaus/AM

Em meio à selva surge uma cidade

Os anos de 1800 iniciam com a transferência definitiva da sede da capitania de São José do Rio Negro (Amazonas) de Mariu (Barcelos) para o Lugar da Barra (Manaus), em 1804. Quase trinta anos depois, em 1832, com a criação da Câmara do Alto Amazonas, o Lugar da Barra‚ é elevado à categoria de vila, com o nome de Nossa Senhora da Conceição da Barra do Rio Negro. A vila não passava de uma aldeia rural, imprensada entre o igarapé de São Raimundo e o largo dos Remédios. Em 1848, a Vila da Barra é elevada à categoria de cidade, ainda com o nome de Nossa Senhora da Conceição da Barra do Rio Negro. Com a elevação do Amazonas à categoria de província, em 1850, a cidade da Barra passa a ser a capital da nova província, começando a mudar de feições. Novas ruas começam a surgir, embora continuasse a ser uma pequena cidade de uns 3 mil habitantes, com uma praça, dezesseis ruas e 243 casas.

A essa altura, o resto do mundo já conhecia a navegação a vapor, a grande inovação da época e pressionava a liberação da navegação estrangeira no Amazonas, uma região repleta de riquezas naturais.

Entretanto, os navios estrangeiros só começam a navegar no grande rio e seus afluentes a partir de 1866. Em 1853, Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá inicia, com o vapor Marajó, a linha regular entre a cidade da Barra e Belém. Foi nessa época, em 1856, que por iniciativa do deputado José Ignácio Ribeiro do Carmo, a cidade passa a se chamar Manáos.

A vida econômica da região começa a prosperar com a exportação de castanha, arroz, cumaru, cacau, guaraná, urucum, couro e o látex da seringueira (Hevea brasiliensis).

Nessa época a borracha natural ainda era utilizada apenas na fabricação de sondas, brinquedos e artefatos. O advento da vulcanização coincide com a descoberta dos grandes seringais nativos no Rio Purus. Manáos passa a ter um liceu, um jornal impresso e um mercado público. A cidade cresce lentamente, impulsionada pelo desenvolvimento do comércio extrativista da região. Mas‚ em 1888 começa a experimentar anos de prosperidade, quando Dunlop, utilizando a borracha, redescobre o pneumático para bicicletas, que mais tarde passa a ser aplicado nos automóveis pelos irmãos Michelin.

Um período de luxo e riqueza

Em 15 de novembro de 1889 é proclamada a República Federativa do Brasil, extinguindo-se o império. A província do Amazonas passa a ser Estado do Amazonas, tendo como capital a cidade de Manáos. A borracha, matéria-prima das indústrias mundiais, é cada vez mais requisitada. O Amazonas, principal produtor, orienta toda a sua economia para atender à crescente demanda de mercado. Começam a chegar à cidade imigrantes do Nordeste do país e estrangeiros, proporcionando um crescimento demográfico que obriga Manáos a passar por mudanças significativas. Em 1892, tem início o governo de Eduardo Ribeiro, que tem um papel importante na transformação da cidade, com a execução de um plano para coordenar o seu crescimento.

Esse período (1890-1910) é conhecido como "fase áurea da borracha". As construções tomam conta da cidade, que ganha o serviço de transporte coletivo de bondes elétricos, telefonia, eletricidade e água encanada, além de um porto flutuante, que passa a receber navios dos mais variados calados e de diversas bandeiras. A "metrópole da borracha" inicia os anos de 1900.

Tempos difíceis

Em 1910, Manáos ainda vive a euforia dos preços altos da borracha, quando é surpreendida pela concorrência no mercado mundial da borracha natural plantada e extraída dos seringais da Ásia. É o fim do domínio da exportação, quase que exclusiva da Amazônia e o início de uma lenta agonia econômica para a região. O comércio manauense torna-se definitivamente crítico, as importações de artigos de luxo e supérfluos caíam vertiginosamente. Manáos é abandonada por todos aqueles que tinham condições de ir embora, mergulhando no marasmo. Os edifícios e os diferentes serviços públicos entram em estado de abandono. As fortunas rapidamente adquiridas são igualmente dissipadas. A vida social intensa de luxo e euforia transforma-se em angústia, depressão e miséria.

Passam-se os anos, o nome da cidade ganha nova ortografia: Manaus. A economia local continua a passar por momentos difíceis até 1967, quando o governo federal, através do Decreto-lei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, institui a Zona Franca de Manaus, implementando um novo modelo econômico, baseado na criação de uma área de livre comércio de importação, exportação o e de incentivos fiscais especiais. Zona Franca - uma nova arrancada econômica.

Zona Franca

Com a instalação da Zona Franca de Manaus (ZFM), a cidade ganha o comércio de importados e, posteriormente, um Distrito Industrial, onde se concentram as novas indústrias geradoras de emprego. A cidade volta a experimentar um novo crescimento demográfico súbito: a população passa de 200 mil habitantes nos anos 60, para 900 mil, em 1980 e cerca de 1 milhão e 500 mil, em 1995. A infra-estrutura urbana de Manaus já não atende às necessidades atuais.

Começam a ser implantadas novas companhias de serviços públicos, surgem novos bairros, avenidas, conjuntos habitacionais e estradas.

Na década de 80, a ZFM passa por um período de grande euforia econômica, chegando a ter 354 empresas e gerar 76.931 empregos diretos. A cidade começa a sofrer as conseqüências do crescimento súbito, enfrentando problemas de ordem social e urbana. Com a promulgação da nova Constituição Brasileira, em 1988, é prorrogado o prazo da existência da Zona Franca de Manaus até o ano 2013. No início dos anos 90 o país enfrenta uma séria crise, o governo federal altera a política de incentivos e várias empresas fecham suas fábricas no Distrito Industrial.

Fonte: Prefeitura Municipal de Manaus

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