Salvador/BA

A Cidade de Salvador somente poderá ser entendida na sua real importância se, começando com a sua história, sentirmos as razões da sua implantação, em 1549 como episódio bem maior e bem mais abrangente do que uma simples solução para a má sorte do donatário da capitania da Bahia. Somente vendo a escolha do sítio a meio caminho obrigatório das rotas entre a Europa consumidora e o Oriente produtor como solução óbvia; somente identificando a "fortaleza e povoação grande e forte", implantada por Thomé de Souza, no seu papel de "base" para o apoio da navegação abaixo da linha do equador; somente encontrando as sobrevivências medievais e os afloramentos da idade moderna nos partidos de urbanismo e de arquitetura que formaram suas primeiras ruas e casas, poderemos senti-la no seu primeiro século de vida. Todavia, ainda não se tinham passado cem anos da fundação da cidade e novos fatores vieram se agregar à sua importância original: nas margens da baía, que foi fator decisório para que aqui se fundasse a "Capital do Atlântico-sul" identificaram-se as melhores terras para o apoio da agroindústria do açúcar. E o núcleo de suprimentos, reparos e socorros das frotas da Índia e de Macau foi acrescido da condição de ser a grande doca do embarque da produção do Recôncavo, que não parava de crescer, ao tempo em que era, também, o grande portão de entrada no Brasil de todo o acervo incalculável e inapreçável dos valores transferidos da África para este outro lado do mar. Lutas contra o invasor "holandês"; inícios de um "nativismo" consciente e militante; fixação e desenvolvimento de um modelo cultural, único e tudo começa ali. Éramos uma cidade do Brasil e no Brasil. Éramos um bairro europeu transplantado para o trópico e, também, ao mesmo tempo e no mesmo espaço, a maior concentração africana fora da África. Assim andamos, assim temos andado na história. No século XVIII a riqueza se fixou, a cidade se engrandeceu. Seus grandes monumentos, que são os testemunhos desta grandeza, foram construídos por uma gente que se auto-construíra, que se auto-afirmara. Os grandes templos, os grandes solares, os edifícios públicos ( e entre estes, destaque para a Casa-de-Câmara-e-Cadeia) marcam o tempo e a sociedade que os construíram A "base" do século XVI era, agora, a grande metrópole do século XVIII. Nem o século XIX, com todas as dificuldades que teve o Brasil de acompanhar o passo das transformações tecnológicas e econômicas, diminuiu a importância da Cidade do Salvador. Perdemos, é verdade, desde 1763, a condição de capital da colônia portuguesa na América. Nem por isto deixamos vaga a condição de liderança no processo político e econômico. Haja vista a presença fundamental da Bahia no processo da Independência. Agora, 456 anos depois daquele momento decisivo que foi o da fundação de uma cidade na costa americana do Atlântico Sul, os compromissos permanecem e continuam mais densos. A "fortaleza e povoação grande forte" que foi o compromisso cumprido por Thomé de Souza, e sua gente, esta muito próxima dos três milhões de habitantes, com todos os desafios que, daí, decorrem. Desafios que a todos cumpre vencer, tanto quanto aqueles homens mandados por D. João III venceram os muitos que encontraram na sua tarefa. Fonte: Prefeitura Municipal de Salvador

Flag Counter