Litoral Brasileiro

O litoral brasileiro representa um vasto campo de estudos. Praticamente toda a colonização inicial do território partiu dele, já que a costa brasileira é permanentemente aberta à navegação, pois as condições climáticas predominantes a deixam livre de más estações. Considerando a linha real, o litoral brasileiro alcança cerca de 9.000 km, aproximando-se bastante da extensão das fronteiras terrestres, que somam aproximadamente 12.000 km. Considerando-se os elementos oceanográficos, climáticos e continentais que formam os complexos litorâneos, a costa brasileira se distingue em cinco grandes áreas:

1) O litoral Amazônico ou Equatorial estende-se por cerca de 1.500 km, desde a foz do Oiapoque até o Maranhão oriental, e em alguns trechos se alarga consideravelmente, apresentando áreas periodicamente inundáveis. Essa é a regra geral, mas em alguns trechos o planalto de sedimentos antigos vem até o litoral. As águas fluviais que chegam ao litoral transportam grande quantidade de sedimentos e quando ocorre o represamento dessas águas pelas marés, esse material precipita-se pela ação da gravidade.

2) Litoral Nordestino ou das Barreiras, que vai do Maranhão oriental (delta do Parnaíba) ao Recôncavo Baiano. Tem como característica os sedimentos terciários, que se apresentam em forma contínua. Esses depósitos criam uma superfície (tabuleiros não muito longos) que separa a região costeira da região sublitorânea. Isso ocorre com freqüência em quase todo esse trecho, mas na verdade existem outras áreas diferenciadas, como a que vai do delta do Parnaíba até o cabo São Roque (Rio Grande do Norte), cujas condições climáticas semi-áridas propiciam a formação de áreas de dunas móveis, e um outro trecho com chuvas abundantes, que vai do cabo São Roque à baía de Todos os Santos (Bahia). Na paisagem externa o elemento característico dessa área é constituído pela linha dos recifes, de coral ou areníticos, que formam linhas descontínuas ao longo do litoral.

3) O litoral Oriental estende-se do Recôncavo Baiano ao sul do estado do Espírito Santo, desenvolvendo uma costa predominantemente baixa caracterizada pela presença de extensas restingas, que ora se apresentam isoladas, ora ligadas umas às outras e ao continente, dando origem a grandes planícies. Nesse trecho ainda persistem aspectos do litoral nordestino, embora sem a mesma continuidade. A plataforma litorânea tem nessa porção condições peculiares, tanto que em frente ao litoral sul da Bahia emergem do planalto submarino recifes coralíneos, como as de Itacolomi e Abrolhos.

4) Litoral Sudeste ou das escarpas cristalinas, que vai do sul do Espírito Santo até Santa Catarina, descrevendo uma grande reentrância. A costa é esculpida em formações do complexo cristalino ou em sedimentos recentes, embora possam ser assinalados nos litorais do Espírito Santo e fluminense depósitos terciários. Da baía da Guanabara até o Paraná, após a linha costeira, o litoral é interrompido pelos rebordos orientais dos planaltos cristalinos, que avançam mar adentro em numerosos esporões. Nesses avanços a ação erosiva é intensa e as falésias, os "costões", apresentam em seus sopés grandes blocos, resultantes dos desmoronamentos. No conjunto, a costa cristalina dá a impressão de costa submersa, apresentando o que se denomina "rias" ou vales afogados, destacando-se a baía da Ilha Grande e a baía da Guanabara apertada entre morros, pontilhadas de ilhas (algumas importantes por suas dimensões e outras pela beleza natural). De Santos para o Sul, até quase a fronteira do Paraná, a costa muda de feição, torna-se baixa e com restingas. Várias planícies separam a linha da costa da borda do planalto. No litoral paranaense os esporões cristalinos da Serra do Mar voltam a se aproximar do litoral. Neste trecho abrem-se novamente grandes baías, como as de Paranaguá-Laranjeiras (Paraná) e São Francisco (Santa Catarina). No litoral catarinense o fenômeno mais destacado é a intensidade da sedimentação, embora ainda apareçam costas altas por influência das serras cristalinas. Em conseqüência dos processos de sedimentação, numerosas ilhas de outrora foram anexadas ao continente. Antigos grupos de ilhas foram-se interligando, vindo a se constituir duas grandes ilhas, a de São Francisco e a de Santa Catarina. Ao sul da Ilha de Santa Catarina e até o cabo de Santa Marta (Santa Catarina), a costa apresenta-se menos recortada e a irregularidade do relevo é menor na faixa costeira.

5) Litoral Meridional ou Subtropical ou Quaternário do Sul. Estende-se desde Laguna (Santa Catarina) até a barra do arroio Chuí (Rio Grande do Sul). Esse trecho do litoral é quase que inteiramente baixo e arenoso. Aparecem conjuntos de cordões litorâneos profundamente desvinculados, criando planícies bastante amplas, dentre as quais surgem uma série de lagunas, algumas delas totalmente fechadas e outras interligadas por canais rasos. Em direção ao interior as lagunas se repetem, mostrando desse modo a sucessão de cordões que originaram a planície arenosa. Grande parte do material não está consolidado, o que facilita a formação de dunas elevadas. No litoral gaúcho dois ventos se fazem sentir, o "carpinteiro da praia", marítimo dominante que sopra perpendicular à praia, e o pampeiro, continental. Trabalhando em sentidos opostos, provocam o empilhamento do material, o que justifica a altura das dunas. Ocorrem ainda uma série de lagunas de restingas, das quais destacam-se por suas dimensões as lagoas dos Patos e Mirim. A dos Patos, a maior delas, alcança uma área de cerca de 10.000 km2, ao norte da qual situa-se o estuário do Guaíba, onde se instalou a cidade de Porto Alegre.



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